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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Professora ganha na Justiça R$ 17 mil por fotos de lingerie divulgadas

Professora ganha na Justiça R$ 17 mil por fotos de lingerie divulgadas

 
Uma professora de matemática de Palmital (414 km de São Paulo) conseguiu na Justiça o direito de receber R$ 17 mil de indenização, por danos morais, por ter imagens dela só de calcinha e sutiã divulgadas na internet. Os condenados pelo constrangimento são dois ex-colegas de faculdade. Não cabe recurso da decisão.
Segundo a ação, a professora foi convidada em 2008 para posar para fotos apenas de lingerie quando ainda era estudante da Fundação Educacional de Assis (434 km de São Paulo), de quem já havia sido "garota-propaganda" no mesmo ano. As fotos seriam para ilustrar um trabalho acadêmico. A moça aceitou com a condição de não ter o rosto divulgado.
A proposta foi feita pelo então estudante de administração Marcelo Costa Cintra, que pediu a colaboração da colega Elizangela Aparecida Fernandes dos Santos, que armazenou as imagens em um pen drive. Em sua defesa no processo, Elizangela alegou que esqueceu o pen drive no laboratório da faculdade e que somente o encontrou três dias depois. Cintra foi julgado à revelia porque não apresentou defesa.
A professora, cujo nome não foi divulgado pelo fato de a ação transitar em segredo de Justiça, declarou no processo que "se constrangeu profundamente ao saber que fotos suas em situações íntimas, de corpo inteiro, inclusive reproduzidas em alta resolução da região da genitália, estavam circulando pela rede mundial de computadores".
Ainda de acordo com a ação, "em algumas fotos houve 'close' de sua face, ensejando ampla identificação pessoal e publicidade ofensiva, com requintes de difamação, calúnia e injúria".
Isac Milagre de Oliveira, 65, um dos advogados da vítima, afirmou que sua cliente passou por muitos constrangimentos devido à divulgação das fotos. "Sabe como é cidade pequena. Todo mundo fica comentando. E ela acabou perdendo uma oportunidade de trabalho numa escola por causa da confusão", disse.

Outro lado

Em primeira instância, Cintra e Elizangela foram condenados a pagar R$ 20 mil para a colega de faculdade. Mas o valor foi diminuído para a metade no Tribunal de Justiça de São Paulo em janeiro deste ano. Com juros e correções, a indenização sobe para R$ 17 mil.
Segundo João Francisco Gonçalves Gil, 54, advogado de Elizangela, os advogados da professora serão procurados para uma "composição", com o objetivo de parcelar o valor da indenização. "Não há mais o que discutir porque a sentença já transitou em julgado", afirmou.
O advogado Sergio Augusto Frederico, contratado por Cintra, foi procurado pela reportagem do UOL nesta segunda-feira (13) para se manifestar sobre o assunto, mas não foi encontrado. Em seu escritório, a informação é de que ele estava ausente de Assis.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

COLESTEROL EM ADULTOS

Metade dos adultos com colesterol alto não trata a doença
Resultados de uma pesquisa brasileira inédita, feita com mais de 2.000 pessoas em 70 cidades, revelam um cenário preocupante: metade dos adultos com colesterol alto não trata o problema.
O estudo, feito pelo CLACC (Conselho Latino-Americano para Cuidado Cardiovascular), iniciativa que busca disseminar informações sobre tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares, também aponta que menos da metade dos brasileiros dosa seu colesterol e que os médicos não conhecem bem as diretrizes do tratamento.
O objetivo do projeto era justamente avaliar a aderência dos pacientes ao tratamento, já que a falta dela é considerada um fator crucial para o aumento da incidência de problemas como infartos e derrames. Só no Brasil, as doenças cardiovasculares matam 300 mil pessoas a cada ano, e a Organização Mundial da Saúde estima um aumento de 250% nos casos até 2040.
Os voluntários responderam a um questionário fornecendo dados a respeito de dosagem de colesterol, diagnóstico de hipercolesterolemia e quais os tratamentos feitos. Quem não estava em tratamento respondeu ainda sobre os motivos da interrupção.
Os resultados revelaram que, entre os que sabiam estar com o colesterol alto, apenas 50% seguiam a terapia recomendada -23% tinham começado e parado e 27% nunca tinham tratado a doença.
"Trabalhos anteriores mostram que o tempo médio de uso de medicamentos é de 60 dias, mas o paciente só começa a ter benefícios após um ano de tratamento", diz o cardiologista Andrei Sposito, presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, e um dos autores.
Segundo a pesquisa, um dos fatores que atrapalham o tratamento correto é a desinformação. "A maioria dos pacientes não tem noção da gravidade de sua doença", diz Sposito. "O médico acha que a pessoa recebeu as informações adequadas, mas a mensagem não está chegando ao paciente."
Os pacientes costumam aderir mais ao tratamento se já vivenciaram o problema- quando, por exemplo, já foram vítimas de um infarto.
As consultas rápidas também parecem influenciar esse cenário. Entre as conclusões, os autores do trabalho apontam que a aderência ao tratamento está relacionada a consultas mais longas e detalhadas, mais informação sobre o problema e maior confiança no médico.
A pesquisa revelou ainda que menos da metade dos entrevistados (47%) tinha feito exame para dosagem de colesterol. Desses, 22% tinham hipercolesterolemia. O restante dos voluntários simplesmente não conhece suas taxas de colesterol sanguíneo.
Médicos
Outro braço da pesquisa ouviu cem cardiologistas de oito cidades (São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Recife) e constatou que só 12% deles calculam o risco do paciente por escalas específicas, como recomendado.
Além disso, apenas 31% dos médicos responderam corretamente sobre os valores desejáveis de LDL para pacientes de baixo risco. E menos da metade deles conhecia as metas para quem tem alto ou médio risco.
"A falta de conhecimento se estende a grande parte dos médicos", diz Sposito. Ele participou de um estudo com 2.056 profissionais (endocrinologistas, cardiologistas e clínicos-gerais) em 11 países, que mostrou resultados similares. "A prevenção é um trabalho de todos que deve começar na infância".
"Os resultados deixam claro que há muito espaço para melhorar a questão de aderência ao tratamento da hipercolesterolemia no Brasil, tanto por parte dos pacientes, como por parte dos médicos", diz o cardiologista Fernando Cesena, do Instituto do Coração, e consultor para o CLACC.